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#iGirlPower

PARTE II
Em terras de egoísmo, quem tem coração é rainha
As dificuldades que estão desde o engajamento até na hora de fazer, realizar o trabalho duro
Por: iFox/Micael Machado (micaelaraujomachado@gmail.com)
Diante de fatores como o contexto social e as desigualdades enfrentadas no dia-a-dia da mulher, ser mulher em uma sociedade que ainda se encontra presa aos discursos que determinam o comportamento feminino adequado, quase que como via de regra, exige muito mais, o dobro ou o triplo de dedicação ou “beirar à perfeição”. E não é à toa que a mulher está se aprimorando cada vez mais, conciliando a vida profissional e a vida pessoal para conquistar mais espaço, com muita competência.

Isso, é uma das razões para que as mulheres ainda estejam tão díspares no engajamento social além da disponibilidade. Segundo a socióloga e psiquiatra pós-graduada em Filosofia da Educação pela PUC-SP, Nilda Jock, o contingente feminino ainda não está inserido no mercado de trabalho como o masculino. Ou seja, evidenciando que há uma maior disponibilidade por parte das mulheres.

A estudante de jornalismo, Naiane Konradt de 21 anos, demonstra isso ao contar a sua história de engajamento em campanhas solidárias. O primeiro contato com ações humanitárias aconteceu por intermédio da igreja a qual frequentava e, consistia em ir de casa em casa para arrecadar alimentos.

O amor por estar em contato com outras pessoas e as fazê-las feliz persistiu mesmo após o grupo terminar. “Quando o grupo acabou, me senti vazia pois não tinha mais a função de ajudar e isso, me cedia a sensação de estar completa”, disse Naiane que a partir de uma conversa com algumas amigas que também eram do grupo extinto, tiveram a ideia de criar o S.O.S Ajude o Próximo (clique aqui para ler mais).


O S.O.S Ajude o Próximo, é um grupo composto por jovens, e não tem alguma ligação com o governo ou instituições. A vontade de ajudar foi apenas a fagulha para a campanha realizada em outubro desse ano – em comemoração ao dia das crianças.

Partindo de uma observação em que viam muitas festinhas organizadas para as crianças nos mesmos lugares de sempre, algo novo foi pensado: uma festa onde as crianças moravam, no lixão. A receptividade foi grande e o sonho dos jovens ganhou forma ao arrecadar alimentos e brinquedos além de obter o apoio de diversos comércios da cidade de Rio Grande, situada no Rio Grande do Sul.

Com tantas doações, Naiane disse empolgada que conseguiram confeccionar 250 kits com docinhos para as crianças e no dia do evento, haviam até brinquedos infláveis. Em média foram 200 brinquedos, repassados ao longo de uma tarde, repleta de entrega entre os organizadores da campanha e quem recebia os presentes.

Em meio a rotina, a iGirlPower, diz que há tempo para agendar dois finais de semana de cada mês exclusivos para arrecadar alimentos e posteriormente, repassar para famílias carentes que o grupo entra em contato (clique aqui para doar). E ao ser questionada sobre o que a motiva, ela diz não saber, apenas sentir já que desde a primeira vez que participou de uma campanha e depois, se ausentou, sentiu um vazio muito grande.

Apenas sentindo que estar engajada em ajudar ao próximo, era a sua missão a fazendo feliz, Naiane declarou: “quando as pessoas escutam que a grande recompensa é ver o sorriso no rosto das pessoas que recebem o que é arrecadado, muitos acham que aquilo é um clichê, porém, é real”.

Ao pesquisar no Google, por exemplo, o que é ser voluntário, das duas respostas mais acessadas, uma diz que é aquele que não é forçado e outra, que se opta por fazer ou não. A iGirlPower quando questionada sobre o que é isso, diz que resumir em uma frase o que é ser voluntário, é difícil mas acredita que é uma minha missão de vida e, para ela, enxerga que tem tempo hábil e força para ajudar o próximo pois acredita estar no mundo por um propósito e esse, é o seu.

As dificuldades em organizar um evento são muitas, ainda mais quando é algo sem fins lucrativos, Naiane cita que o S.O.S Ajude o Próximo é persistente e que a maior dificuldade era a falta de credibilidade pelo fato dos membros do grupo serem novos - média de idade entre 17 e 25 anos - e o fato de não estar ligados a nenhuma instituição. Isso tudo, com o tempo, aprenderam a lidar, tanto que agora, o grupo possui um certificado autentificado no cartório e conseguiu reconhecimento perante à prefeitura da cidade gaúcha.

Outro fato que pode ser citado, é a crise econômica enfrentada esse ano por boa parte da população, no entanto, há pessoas que se mostram dispostas a doar. O Mercado Guanabara por exemplo, quando os jovens estavam com poucas esperanças, ligou após o primeiro contato e doaram três caixas cheias de brinquedos.

Relativo ao fato de as mulheres serem a maioria, engajadas em campanhas humanitárias, Naiane diz que percebe o sentimento de empatia. Isso também pode se referir ao que é culturalmente construído, a partir da frase “isso é para homem ou isso é para mulher”, que desde o nascimento predetermina certas tarefas. Atribuído ao fato de ser construída a imagem de que a mulher é ou deve ser mais carinhosa e dócil por exemplo, é construído o estereótipo também de que as mulheres são mais maternais e, consequentemente, envolvidas em campanhas humanitárias.

Nos minutos finais de entrevista, a iGirlPower é humilde ao dizer que poderia fazer muito mais, mas, o "pouco", com certeza se torna muito na vida de quem recebe as doações. Naiane ainda diz “acredito que um pouquinho que nós fazemos, ajuda e isso faz eu me sentir realizada”.

São histórias de pessoas como a Naiane Konradt e a Stéphanie Assis, ambas iGirlsPower do mês de dezembro que inspiram a todos independente de sexo ou gênero. As vozes das duas se unem ao dizer “tem muita gente que precisa de cuidado e não tem, temos tempo, podemos nos dedicar ao bem e não precisamos ser da família de quem precisa, para ser solidária”.

Veja a PARTE I em: https://goo.gl/xztY7g



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