#InFocus
A
história de Paulinha Caetano
Segundo o
Instituto Nacional de Câncer José
Alencar Gomes da Silva – INCA –,
estima-se que o câncer de mama é o câncer mais comum entre as mulheres no mundo
e no Brasil. Isso corresponde a
cerca de 28% de casos novos a cada ano.
Com
incidência predominante em mulheres, infelizmente o câncer de mama é
evidenciado somente em uma data: o outubro rosa. Não desmerecendo a campanha
que é muito importante, iFox enfatiza
o que ao menos, boa parte das mulheres entrevistadas ressaltam.
Antes de
mais nada, esse texto não é mais um texto sobre o câncer, nem tem o intuito de
fazer uma propaganda de prevenção, mas se servir para isso, não há problemas. O
foco está em pensar nos sentimentos vividos por mulheres com câncer de mama
desde o processo de adoecimentos até as mudanças advindas dessa nova realidade.
Diante
disso, pode-se dizer que o câncer de mama é uma doença diferenciada pois, além
das mudanças físicas como a dor e as mutilações, tem o impacto psicológico que
resulta em inúmeros sentimentos, com várias intensidades e naturezas.
É preciso
compreender que antes de qualquer coisa, os seios possuem simbologias e isso é visto
em diferentes culturas. São os órgãos da amamentação, símbolos de feminilidade
e, ao mesmo tempo, fonte de inspiração nas artes. Representados em suas nuances
desde a sexualidade e o prazer e, em público, ousadia, protesto ou até
estratégia de marketing.
A
história de Ana Paula Caetano ou
melhor, Paulinha Caetano, prova a
todos que apesar dos sentimentos como o medo, a angústia e a ansiedade, nem
tudo está perdido. O momento em que o diagnóstico é realizado por conta de ser
quase sempre associado com a morte, é mais difícil do que se pensa e as
mudanças na vida bem como cotidiano da mulher, são marcantes.
Paulinha Caetano com as filhas Grayce Caetano Gonçalves e Samira Caetano de Melo (Foto: Acervo Familiar)
“Quando
fiquei muito mal, já estava anoréxica e cheia de sequelas, meus rins pararam e
comecei a fazer hemodiálise, ficando meses na UTI”, relembrou a entrevistada
que sempre se mostrou confiante reafirmando que iria vencer e voltar para casa.
No
momento em que a palavra “câncer” é dita, seguida de palavras como “tratamento”
e “radioterapia”, o susto é grande e além da família, durante o período que
corresponde desde o diagnóstico ao tratamento e a cura, os profissionais da
saúde são importantes. Esses, desenvolvendo inúmeros papéis como cuidadores e
educadores, auxiliando nos momentos de ressignificações de valores e
sentimentos negativos.
Paulinha se refere a todos os profissionais que
cuidaram e cuidam dela como “anjos de jaleco” e ressalta o papel de ouvintes e
orientadores, sempre dispostos a desmistificar de forma clara os seus medos e
suas dúvidas. Aliados da família, ajudaram a se reerguer sorrindo e acreditando
na recuperação.
“Uma das
minhas maiores dificuldades foi o bullying que vi minha filha menor sofrer na
escola, me envergonhava da minha aparência, não queria deixa-la constrangida”,
contou a entrevistada ao ser questionada sobre uma das dificuldades enfrentadas
no tratamento. Samira Caetano de Melo,
a filha menor, no entanto, sempre fitando a mãe, relatou sobre uma festinha na
escola de dia das mães a qual ficou emocionada ao enxergar a mãe na plateia.
Paulinha Caetano com a filha mais nova, Samira Caetano de Melo (Foto: Acervo iFox)
Paulinha, disse que suas filhas sempre a apoiaram, mas,
a filha menor, nunca saiu de perto e que merecia ser homenageada. Isso tudo
pôde ser visto em um vídeo ao qual na apresentação citada acima, a mãe diante
da escola, disse que Samira, desempenhou muitas vezes o papel de mãe.
Samira Caetano de Melo, de apenas 12 anos
relatou que ao lembrar da mãe, a palavra que vem à sua cabeça é “guerreira” e
que um dos maiores legados deixado pela sua mãe é: nunca desistir de lutar de
seus sonhos pois um dia, poderá alcança-los, através da luta.
Outra dificuldade, se
refere à estética, a ausência de cabelo e principalmente da mama, evidencia o
seu significado para a mulher. Diante disso, o sentimento de incompletude e
rejeição são elencados como presentes no dia-a-dia dessas mulheres. Para Paulinha não foi diferente, se despedir
dos longos cabelos loiros e dos seios foi dificultoso, porém, a vontade de
viver saudável sempre se sobressaia.
Um grande
“anjo”, referente à reconstrução do amor próprio foi a tatuadora, Hermana Rodrigues que a convidou para
compor um projeto denominado “modelo de maio”. Apesar de ter feito a
reconstrução mamária, Paulinha disse que ficou com cicatrizes horríveis mas
participar do ensaio a fez se ver de outra forma.
Após o
primeiro ensaio, estampou algumas páginas do livro do fotógrafo Fernando Duran. Relembrando o ensaio, Paulinha ainda relata que diante do
convite questionou a escolha do fotógrafo e escutou: “enxergo a sua beleza de
uma maneira única”. E não parou por aí, em outubro de 2016, posou para as
lentes outro fotógrafo, Lucas Gomes
participando da campanha “outubro rosa”. Referente à campanha, a entrevistada
relata a importância dela, mas também, o quão eficaz seria se ela fosse
intensificada ao longo do ano.







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